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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Espírito Pessimista‏

Nós temos um espírito pessimista em cima de nós.
Ele cavalga sobre nossas mentes e com cabresto firmes
Nos limita ao não, ao que poderia ser...
A possibilidade é sempre uma quase verdade;
Aquilo que não se fez por falta de coragem.
Quem sabe um dia...
Sempre assim!
Quase não ecoa o SIM.
Mas ele não perde o seu valor.
Libertador!
Quase tão bom quanto um NÃO.
Nem sempre é uma boa opção.
Mas o espírito pessimista

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

União Estável

O olhar já comunicava o que a fala não exprimia. Não que houvesse necessidade além, mas o olhar já me mostrava alguém diferente de todos; foi o destaque. O olho no olho e a infame sensação de estar sendo despido por alguém que nem ao menos o tocara me consumia. Por instantes não se pensou em nada além de como seria... O beijo! Fomos apresentados, Eric, era o seu nome. Sim, era um homem, mas a natureza do conflito não se deu ai, o início, talvez houvesse um a mais, uma razão envolta em eufemismos. A conversa se desenrolou de forma excitante; éramos como dois amantes. Indiretas em cada fala, gestos indicavam a verdadeira intenção e por fim um convite feito com entusiasmo; foi um empurrão. Não se diz "Sim" apenas "por que não?". Fomos para um subúrbio qualquer e com o tempo ainda escuro, seguimos em direção ao apogeu. Como um paladino do prazer, ele preparou tudo enquanto eu me banhava. Minha mente estava limpa, lisa... Coisa rara. Estranho haver tanta calma. Não falamos, há momentos em que a fala não se faz necessária. Nos beijamos. O primeiro beijo, meu e dele. Os lábios se tocaram lentamente, as línguas foram encontrando o caminho certo e logo já estavam seguindo o fluxo do carinho. O toque na cintura, o abraço quente, naquele momento não havia nada além de nós. Foi como numa valsa ensaiada. Eu nunca tinha sido tocado e com ele foi natural. Ele navegou pelo meu corpo, meus pelos saltaram num arrepio pontual que marcavam a excitação. Ele usava as duas mãos e sabia onde e como. Aos pudicos, meu nada sincero perdão, o amor não tem um sentido e pode andar na "contramão". Eu passei adiante... Com minha carne o deixava delirante e sentia as contrações, sua pele em mim com alguns puxões. Seus dedos comprimiam, eles se fechavam como numa agonia e no fundo era excitação. Ele gemia de tesão e com o seu prazer eu quase fui ao delírio. Seu corpo era uma obra de arte, do tipo que nem Da Vinci pintara, por não saber da existência. Já era dia quando nos percebemos ainda ativos, o dia estava lindo. A fome bateu, mas não havia nenhuma vontade em nós de parar o que fazíamos. Os olhos se fechavam e se abriam cada vez mais vagarosamente, o sono veio lentamente. Não, não dormimos! A carne ainda estava quente, a cama molhada de suor e em nós o desejo maroto de concluir. Estávamos prontos para o salto e seria um Duplo Twist Esticado. Foi mágico e foi mútuo, nossa primeira noite e já foi de amor. Horas depois, e ainda estávamos imóveis, colados um no outro, se aproveitando do calor do corpo. Aos poucos, pequenos movimentos levaram ao despertar e a fome voltou a quase nos matar; ele fica na vertical e se dirige à cozinha. Não pensei muito, nem consegui processar. Como era possível, eu, já o amar. E não havia contradição, apenas dois numa união. Ele volta com um banquete, torradas, pão, bisnagas e a porra toda. Sua boca estava linda, e mais um beijo... Comemos, nos olhamos, nos tocamos, conversamos e por momentos nos amamos. O tempo estava a haurir e tínhamos de partir. Trocamos telefone e nos distanciamos. Por tempos nos encontramos e mais tarde houve a necessidade de anunciar, ao público que há de julgar. E assim foi. Sofremos... Mas foi mútuo, foi junto e superamos. Mas o amor muda tudo. A afeição é quase uma perdição. Como num jogo em que as regras mudam abruptamente. O objetivo, a meta se esvaiu; éramos dois com “permissão” e não havia mais resistência. Éramos só nós dois e não era suficiente, pra mim e pra ele era preciso mais alguém presente. Adotamos! Bruno; era o seu nome. Seu quarto decorado com o tema do homem morcego ‘Batman’. E ‘nós’ passou a ter um sentido mais amplo, uma perspectiva que envolvia mais do que só um romance. ‘Nós’ ganhou um sentido, de novo. Éramos amigos, parceiros, amantes e agora... Pais! Era um domingo normal. Ele acordara animado, como quase todos os dias. Havia uma calmaria, incomum noutros dias. Ele sempre levantava primeiro do que todos e não deixava mais ninguém dormir. Como numa tradição, aos domingos ele ligava o som. Etta James - At Last. Era bom. Forçados a acordar, Bruno e eu só podíamos aceitar. A comida já estava posta. Ele era especialista em preparar cafés da manhã, fazia com tamanho zelo que o amor podia ser sentido em cada mordida. Sempre com uma flor, uma palavra de amor. E o dia foi perfeito. Ao entardecer fomos ao cinema. Alice Através do Espelho; Era o filme. Escolha do Bruno? Não, do Eric; ele ama filme de criança. E o tédio na face do Bruno deixava claro que a segunda opção ‘Malévola’ era melhor. Era umas 19:30 quando estávamos caminhando em direção ao nosso carro, no estacionamento do shopping, quando seis mal-encarados se aproximaram. Era um monturo... De gente, a escória da sociedade; o mal personificado em figura de homem, em sua essência o preconceito e a maldade arraigada à sua carne. Por instantes eu os fitei e me veio um flash, eu já os tinha visto minutos antes enquanto escolhíamos um brinquedo para o Bruno. Palavras ofensivas, agressividade no olhar; a maldade estava a nos testar. Eric era lutador, foi professor de Muay thai, mas eram muitos e nós apenas dois. Eles estavam com correntes e porretes em mãos, não havia polícia ou um bom cidadão. Todos sumiram; éramos o Bruno, eu, o Eric e os mal-encarados. E não demorou muito para entrarmos em luta corporal. O horror! O pior do ser humano, meu cilício, meu castigo, meu carma... Eles me seguram enquanto grito para que o bruno corra em busca de abrigo. O tempo é relativo, e neste caso foram alguns minutos que duraram uma eternidade. Não conseguia ver o Eric. Onde ele estava, para onde o levaram e o que fizeram com ele... Eu apanhava e nem ligava. Nosso amor era tamanho que minha carne não me importava. Quando a ajuda chegou os corajosos se acorvadaram e correram em fuga. Me arrastei para perto de um carro pingando sangue e tentei me erguer para procura-lo e nada de avista-lo, olhei ao fundo e consegui ver um corpo caído. Capenga, mas determinado, eu corri em agonia e as lágrimas se misturavam ao sangue que escorria do meu nariz. Era ele, estava desacordado. No hospital a agonia... E se pensa; como se podia, se fosse dois diferentes nada disse aconteceria, e pergunta-se como pode ser tão irritante, como pode ser tão inquietante dois iguais numa união que vai além de uma paixão, além de um coração... Alma não tem dimensão, coloração ou sexo. Quando duas almas se encontram e se gostam, elas vibram; vibram numa mesma sintonia e é possível sentir; quando se olha quem se ama e sente aquele formigamento de leve, aquela sensação de flutuar, um quase flanar, como se estivesse a voar. O amor não tem cor, o amor não tem sexo e com ele somos capazes de suplantar e quem sabe um dia superar...


Antes de ecoar ‘Amém’ na sua casa e no lugar de adoração, pensem. Pensem e lembrem-se. Uma criança está ouvindo. 
Mary Griffith

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Diferente

Não sou como os outros,
Porque diferente deles
Eu preciso ser descoberto.
As minhas linhas não são simples.
Não possuo uma errata.
Não sou como os outros,
Porque sou misantropo,
Não que eu não acredite na humanidade;
Mas falta bondade.
E com o tempo sou descoberto;
Uma e outra...
As linhas são pinceladas como numa obra de arte.
E é gostoso ver o rosto,
Daqueles que me conhecem.
Se surpreendem com o incomum;
Gostam de eu não ser só mais um.
Com o tempo se misturam a mim,
Incomuns se tornam
E passam a não suportar ser mais um.
Ser igual é bom, mas ser diferente é melhor.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Arromântico

Não sou do tipo que odeia o amor,
Mas que acredita não ser pra mim.
Não que haja além de pessimismo,
Não que haja além de projetismos.
Eu amo!
Já tive muitas paixões...
Do elevador,
Da escola,
Do ponto do ônibus,
Do trem e até a do mercado.
Sou fácil de me apegar e difícil de admitir,
De dar ao outro esse poder.
Me entregar assim, de bandeja.
Todos esses amores não vingaram
E acredite; eles não se encerraram,
Porque quando eu gosto não é móvel, é fixo.
Eu sinto e eu não desisto, eu insisto e persisto;
Resisto ao máximo e um dia eu encaro a verdade.
Não amo ninguém como me amam,
Talvez por uma incapacidade nata
Ou uma opção acovardada para evitar a dor.
Mas o amor é lindo,
Quase tangível de tão denso, de tão intenso...

Às vezes eu penso, serei eu capaz de amar.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Amor Objeto‏

Quem sabe as regras.
Quem conhece o interior.
Não há uma fórmula para o amor.
Regulamente o cu,
Pois ele lhe pertence.
O amor não é um objeto a que todos pegam,
Passam a mão,
Põe onde quer;
E quando não o quer
Faz o descarte.
É um crime reter o amor.
Faça com ele o que se faz aos pássaros, liberte o.
Viva-o com intensidade
E não tema as mazelas que tendem a surgir,
Lembre-se sempre que com o amor, a felicidade tende a fluir.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Paladino do Amor

Que dor é essa, meu Deus.
Que dor é essa...
No começo era tão bom;
Um alpendre em proteção.
Paladino em educação.
Apregoou palavras mágicas
E num infortúnio eu acreditei.
No apogeu do amor, me deixou.
Como numa apostasia, mudou.
Fez de mim um cavalo;
Colocou-me antolhos,
Selou-me e com o cabresto
Dominou-me por onde quis.
Agora que gozo de liberdade,
Que faço?
Fui criado para ser dominado,
Não abandonado!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Lacaio do Amor

O amor tende a ser desproporcional.
Há sempre o que gosta mais,
Vulnerável; Sofre.
Na mão do outro come.
Bebe o que sobra
E quase sempre não é suficiente.
Não se entende,
Apenas se sente.
Caleja,
Lateja.
O amor se estreita.
Um lacaio a subtrair migalhas.
Dignidade!