Páginas

Marcadores

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Amor Verdadeiro

Ela se desfaz do feto ainda banhado em sangue. Enrolado num manto que o protege da noite fria, ela o abraça. Não se diz nada. O beija na testa e em lágrimas comete o maior erro da sua vida. Numa lixeira ele é encontrado, se der sorte por gente boa como a gente. Perguntas, exames... Muitas mãos desconhecidas. No meio disso tudo ele está lá, envolto no manto, são e salvo; e talvez quem perdesse mais fosse aquela que se desfez do seu maior tesouro, o amor verdadeiro.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Desconstrua-se

Desconstruir...
É mais do que natural.
É descer... Descer até às raízes;
Se embrenhar no profundo e de lá mover tudo.
É deletar... Permanentemente.
É não pensar mais.
É se questionar sobre o que se vê,
Se ouve,
Se afirma.
Desconstruir é uma necessidade.
Não fique pra trás, desconstrua:
Paradigmas.
Dogmas cristãos.
Preconceitos.
Frases feitas.
Conceitos duvidosos.
Teorias infundadas.
Desconstrua-se.
Fique nu,
Tente tirar um pouco mais do que a roupa de alguém.
Jogue no espelho a porra toda e não deixe voltar.
Desconstrua-se.

domingo, 26 de março de 2017

Faça Valer

Seja foda
Seja onda
Seje menas...
Ou seja menos
Seja espora
Seja moda
Peça algo
Ou de em troca.
Seja raça
Seja caça
Faça valer.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Preto e Branco

Somos um rabisco num papel.
A margem de uma folha...
Somos um desenho mal acabado,
Um projeto do que queremos ser.
Somos uma paixão desenfreada.
O preto e branco que​ da cor à vida.

domingo, 12 de março de 2017

Tratado de paz

Escárnio, seria, se eu não chorasse.
Prudente, seria, se eu não me entregasse.
Não que falte amor...
Uma mente conturbada,
Desejos fundidos no cerne da paixão.
Denso, mas não fatal.
E me dizem coisas o tempo todo.
Coisas da vida,
Coisas do amor.
Como se alguém soubesse amar.
Temos um rascunho,
Apagado pelas marcas da mentira,
Da ilusão e das cercas que nos limitam.
Tratado de paz.
Às vezes, é só o que precisamos.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Pombos

Pra onde vão as lágrimas.
Não as choradas, 
Mas as não exploradas.
Àquelas que insistem,
Mas não são libertas.
Pra onde vai todo esse ódio.
Que destino é esse que faz de nós
Meras vítimas.
Pra onde vão os passos não dados.
Onde ficam as amarras do tempo.
Parar, ficar e se fixar.
Pra onde vão os pombos quando fogem.
Em alguma ninhada há calor.
Não somos feitos de carne apenas,
Somos seres que se jogam.
Se a vida vale a pena... Você é quem diz.
E não demore muito.
Soube que passos não dados
São caminhos não trilhados.
Que lágrimas são diamantes a se lapidar.
Que o ódio é só uma fase boba.
Que o destino faz com você 
O que você permite.
E os pombos...
Cara, pombos são só pombos.
Mas há quem diga 
que eles representam 
a paz.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Fantasma

Um fantasma me visitou.
Nunca que faria isso a luz do dia.
Estava-se dormindo quando
Ouviu-se um barulho.
Não é nada pensou-se.
E o barulho insistiu.
Foi-se então em sua direção.
Não!
- Que diabos é isso!
Exclamou-se.
- Sou o seu pior pesadelo,
Sou aquele que você esconde,
Aquele que você reluta em aceitar...
Eu sou a sua sexualidade.
- Que queres de mim?
- De você, eu só quero a verdade.
Que você não tema sua natureza e
Aceite as suas belezas.
- Como faço isso?
Perguntou-se.
Nada mais estava ali e
Como num susto acorda-se.