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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O Palio Cinza

Já era 06 da madrugada, quando em um momento de monotonia, avista-se algo que estranhamente chama atenção. Em um lugar distante, mas não tão distante assim observa-se um carro parado, durante muito tempo tenta-se imaginar o que este carro estava fazendo ali, às 06 da manhã com sua porta aberta, na verdade escancarada de forma notável; se tratava de um palio cinza, duas portas e com certeza não era do ano, com uma luneta em mãos e já focada, observa-se atentamente seus movimentos... Depois de um longo período sem muitas alterações, apenas a fumaça de um cigarro que estava sendo queimado ali mesmo, sem regras ou pudor, eis que sai do palio cinza um homem de pele escura, alto... Lembrava um rapper.

Surpreendentemente ele tinha atolado, certamente o cigarro não era dos mais convencionais ou no mínimo ele estava alcoolizado, afinal atolar seu Palio cinza às 06:30 da manhã depois de uma noite linda e acalorada não é muito comum. Ele observa... Depois de um tempo assim, ele retorna, a porta permanece escancarada, sem seguida saltam do Palio Cinza duas mulheres, uma de pele escura, como ele, e outra loira, elas rapidamente começam a empurrar o carro com força e determinação, depois de muitas tentativas e muitas instruções eles conseguem. Desatolam o Palio cinza.

Quando pensa-se que tudo acabou eis que eles param em frente a uma rua, que a essa hora só era movimentada pelos pássaros que já davam seus rasantes, cantando livremente mostrando o nascer do sol. Imaginar o que eles estavam fazendo ali era difícil, um homem de pele escura visivelmente alterado, duas mulheres aparentemente alcoolizadas e um palio cinza. Era difícil de enxergar porém ao que a luneta mostrava sua expressão facial era de prazer e satisfação, seu olhar estava exaltado, nesse momento percebe-se que ele observa o observador, em meio a tantos acontecimentos e a essa distância ele jamais poderia ver com clareza, será que ele viu?

A movimentação no carro era grande, não tão grande quanto a nuvem de fumaça que se formara ao redor do Palio Cinza. Tom, um gato de estimação, estava prestes a acabar de vez com este mistério deixando tal questão eternamente na dúvida. Tom salta para a janela onde estava a luneta, a concentração do observador o impedira de perceber sua aproximação e em um movimento só ele derruba a luneta no chão."- Filho da puta!" Expressa o observador. Mas nem isso eu pudera dizer, afinal todos estavam dormindo. Em uma fração de segundos o palio cinza se foi e só o que restou foi essa história.

Obs. O mais interessante em toda essa história é o fato dela ser real. Pegar uma realidade e transformar em um texto ou até mesmo um poema é algo novo, que eu não faço com frequência. 

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