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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O Aranha

Em um dia de domingo, como tantos outros, lá estava o velho. Apesar de não ter o costume de sair à rua para não fazer nada -diferente daqueles que saem com seus filhos e cães para se sentar no nada para nada fazer- neste dia lá estava eu, envolvido em um insuportável padrão, o que não era comum. O velho estava sentado em sua calçada, latidos enlouquecidos do seu cão da raça Pinscher se misturavam aos gritos de alegria das crianças que corriam serelepes. 

Em suas mãos ele segura seu tradicional jornal. Suas tatuagens eram chamativas, correntes e pulseiras balançavam em seus movimentos; ele vestia um micro-shorts cor creme e uma regata que eu não me lembro a cor, a distração com a leitura era tamanha que ele nem se deu conta de que estava com seu membro, que já foi viril e gonadas para fora, esse é o perigo de não se usar cuecas. Aos que passavam, alguns percebiam outros se quer imaginavam, seu semblante era de extrema bondade e caridade isso expelia qualquer asco ou putrefação que nossas mentes produzissem. Ele é um homem bom!

Passado esse dia o velho retoma sua rotina, com uma bola que foi encontrada em uma de suas aventuras, ele faz obras de arte.; ela era idêntica às bolas misticas que as bruxas usam para adivinhar o futuro, só que essa funcionava como uma lupa, quando posta ao sol ela concentrava todos os raios solares em um só ponto e com isso ela queimava mais que o próprio fogo. Era assim que ele a utilizava, queimando a madeira. Em pouco tempo se via uma obra de arte se formar, muito esperto ele usava óculos escuros para proteger a retina. 

Sempre atento ao seu plantio ele costuma me ofertar frutos e legumes, sua generosidade não se restringe a mim, ele fazia a alegria de muitos e suas doações eram muito bem vindas. Sua inteligencia era explicitada devido os vários livros que leu, mora sozinho, embora tenha uma esposa, filha e um filho que o visitavam com frequência, não sei ao certo quantos netos mas pelas minhas contas são 04. Como tantos outros que moram sozinhos ele tem lá suas manias e costumes. Era corriqueiro a presença de seus conselhos e de sua vitalidade e disposição para ajudar, esse é o velho, querido e amado por muitos.

Ultimamente tenho andado preocupado com o velho, pois o mesmo anda doente. Os boatos são de que a idade está chegando, sua fraqueza é notável, sua vitalidade e disposição se foram, ainda assim ele continua a ler seu jornal e a tomar sol em sua calçada, como de costume.

Não sei ao certo quantos anos ele viveu, mas sei que foi marcante. Ele se transmutou ao longo do tempo e vivei cada época como se fosse a única. No fim da vida, ele manteve sua dignidade e se foi com liberdade.


Ao Velho!

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