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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

10 Pragas do Egito

Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem e onde os ladrões minam e soulam, onde as águas em sangue nos banham, onde a vida não mais se faz presente. Sua caminhada será erma e apesar de eternamente incipiente ganharás experiência, muitas lágrimas serão derramadas, muitas paixões sentidas. O tono da vida cada vez pesa mais, as forças vão se esvaindo por dentre o ar que entra e sai dos pulmões.

Ao olhar para o horizonte vejo muito do que não gostaria de ver, vejo as moscas rodeando um pedaço de carniça humana, a podridão me da asco e o vômito torna-se inevitável. Meus olhos estão registrando o que nunca antes fora registrado, embora tenha -por muito tempo- sido esperado também foi cruelmente desacreditado. Mais a frente, abrindo caminho por dentre as rãs, caminho até uma tenda onde todos eram leprosos, os piolhos saltavam de suas cabeças, voavam livremente, eram tão grandes que podiam ser vistos a olho nu. Pútrido, essa é a melhor definição para o ar naquele local, o vento movia a areia que dificultava a respiração e visão, o tempo estava sombrio as nuvens pareciam estar se preparando para explodir, algo estava para acontecer.

A pouca comida que havia era dividida com os urubus que estouravam em sarna e úlceras, uma visão tenebrosa da obra de Deus. Em meio a tanta dor e sofrimento ouço zumbidos vindos de longe, eram os gafanhoto que traziam consigo as trevas, o suplício e todo o mal que havia. A esperança não se fazia presente, Deus, se quer era citado, todos estavam desacreditados; a fé foi-lhes arrancada junto com qualquer força de vontade, junto com sua saúde ou amor.

Água valia mais que dinheiro -esse não mais existia- os valores foram invertidos, o que era bom não é mais, choros, rangidos, almas pra salvar. O fim dos primogênitos os faziam chorar, sem medo da morte o relento é o seu lar. Como se dissipa a fumaça, assim tu os dispersas; como se derrete a cera ante o fogo, assim à presença de Deus perecem os iníquos.

Sinto-me mal, as doenças dos animais me infectaram, de que isso importa a essa altura. Continuo o caminho com dificuldade, meus olhos e orifícios sangram sem parar, uma luz transpassa o universo a saraiva com fogo cai do céu e me encobre derretendo minha pele e tudo que estava em volta -mal consigo respirar- arestas são abertas por toda parte, o magma emerge intensamente e queima até o ar, gritos são ouvidos a todo momento, a dor era insuportável, vejo minha pele se descolando do meu corpo, meus dedos já estavam quase osso, meus cabelos já foram queimados junto com todo o resto, corro para lugar algum -sem direção- eu apenas tento sanar a dor. Todos estavam na mesma situação, rezando para que a morte se fizesse presente.

E tocou a sétima trombeta, anjos e demônios se gladiando em uma guerra mortal e decisiva. Pessoas procuram pela morte e não a encontram, devastação e agonia era o cenário. Diante de mim eis que emerge da terra -que estava em lava- a besta com um par de corno, salivando de ódio ela se aproxima, um convite se faz ouvir, minha resposta definitiva foi não. Séculos depois e aqui estou eu, cada dia sentindo mais dor, e sofrendo...

Obs. Este texto é mais do que especial, é com ele que fecho a série de textos numéricos onde foram postados os textos: 07 pecados07 virtudes, 07 raios, 05 Sentidos e 04 estações. No texto eu faço uma série de alusões onde todas chegam a um consenso, o fim do mundo, passando por apocalipse e pragas do Egito. Faço citações de uma música do grupo Rosa de Saron, chamada "Anjos Das Ruas"; Além de utilizar passagens bíblicas.

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