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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Honestidade

Uma mancha está encobrindo a sociedade, nunca antes a honestidade foi tão requisitada, algo que deveria ser comum e perfeitamente natural, agora é tida como uma -positiva- anomalia o que mostra o caminho “esquerdo” que estamos trilhando ao longo da evolução. “Cada cabeça uma sentença”, “Todo mundo faz isso”. Quase filosofias sociais que camuflam a realidade da análise do que os outros vão pensar, essa indução deixa evidente a ilusão de bom.

Mais uma vez a senhora hipocrisia vem nos açoitar com sua dualidade, desta vez e como sempre, vem mascarada dentro da falsa honestidade que ocorre no momento em que se faz uma análise entre o certo e o errado, a partir daí você se deixa guiar pelos valores que outros tentam pregar e enraizar dentro de você. Uma atitude tomada na "multidão" do vazio não é a mesma tomada no "vazio" da multidão, os outros nos tendenciam a comportamentos que desconhecemos -tanto para o bem quanto para o mal- e isso é só uma das variáveis da honestidade, embora não defina a realidade de tamanha questão.

"O homem verdadeiramente honesto é aquele que não se ofende com nada". François La Rochefoucauld

Todos, infelizmente, fomos imersos e encobertos por essa imensa mancha que tende a agregar mais e mais seguidores por onde quer que passe, em algum momento de nossas vidas fomos falhos com nós mesmos, em algum momento nadamos contra a maré dos bons princípios que acreditamos veementemente a vida toda e que muitas vezes só há valor particular e intrínseco. O julgamento dos que estão em dívida com a sociedade ou aqueles que vemos como “pecadores” quase sempre é feito de imediato, mas são raras as vezes em que nos olhamos no espelho não só para pentear o cabelo ou para retocar a massa corrida que muitos usam e chamam de maquiagem, mas principalmente para observarmos nossas ações, julgar a si mesmo é bem mais complexo do que julgamentos alheios, está quase em desuso, e essa mancha cada vez se alastra mais e mais. Já se encontra nos dogmas da cultura.

"Até mesmo os homens honestos precisam de patifes à sua volta. Existem coisas que não se pode pedir às pessoas honestas para fazerem." Jean de La Bruyère

Essa tenuidade entre ser honesto ou não, é algo que erradia as mentes de muitos, mas de uma forma ou de outra precisamos dos desonestos, daqueles que têm um crivo mais abrangente quando se trata de valores morais. Pensar em uma sociedade completamente elitizada com valores concretos e dignos é pensar em uma sociedade completamente caótica, a perfeição tem como base o caos e é dentro das lacunas e dos problemas que nos encontramos e encontramos a estabilidade, mas esse é um conceito que só é visto anos mais tarde quando feita uma introspecção.

“Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo”. Gandhi

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