Páginas

Marcadores

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Suicídio

Para alguns a vida não tem preço, chega até ser inefável, para outros um ônus difícil de suportar. Essa bifurcação se estreita na medida em que os extremos se cruzam na caminhada pela existência. O que leva uma pessoa a ceifar sua própria vida, uma pessoa tem o direito de se matar ou para onde vão os suicidas, são apenas algumas das muitas indagações que brotam quando se pensa nesse assunto. Mas a ideia principal quando se fala em suicídio não e bem compreendida, afinal para uma pessoa se matar ela não precisa necessariamente que se enforcar, atirar em sua própria cabeça ou tomar veneno, ela pode se arriscar desnecessariamente, pode se embriagar ou ser um fumante, de uma forma indireta ela está se matando (Ao saber que tal ato pode levar à morte e ainda assim prosseguir, é querer se matar) e todos apesar de verem isso com clareza não compreendem seu significado e não as recriminam, como fazem com o suicídio direto que é tido como sinal de fraqueza, que só deve ser visto assim em âmbito geral, porque para cometer tal ato é necessário muita coragem e força.

O principal motivo que leva as pessoas ao suicídio é a sociedade em geral e suas ambiguidades, viver em grupo e socializar com as pessoas sem que seja estilhaçado com os constantes ataques que surgem quando se está em conjunto é praticamente impossível e para muitos é o fim do mundo. Quando pego, o suicida é ridicularizado e sua fraqueza torna-se pública impulsionando novas tentativas e profunda depressão, a partir daí surge um estereótipo: “Quem quer realmente se matar não ameaça, simplesmente o faz”. Mas nem sempre o suicídio é planejado, na verdade a maioria das vezes é com base no impulso, não é feita uma análise da situação e muito menos há uma mínima racionalidade, por isso muitos se desesperam e correm para lugares altos e ameaçam se jogar, outros cortam seus pulsos e não suportam a dor ou a terrível ideia de sangrar até a morte. Em contra partida essa marca vai ser arrastada por toda a sua vida mostrando que o fundo do posso não é tão fundo assim e que para retornar a ele não é necessário muito.

Mas nem sempre o suicídio está atrelado à tristeza, em algumas culturas é comum suicidar-se em prol de ideologias, neste caso a visão é de honra e a amplitude é diferente. Quando ganhamos um presente temos o direito de recusar, assim como a dádiva divina, ou outros títulos que quiserem defecar, também temos o direito de abdicar à vida, se ela é nossa podemos nos desfazer dela... essa decisão é pessoal, embora sempre envolva uma família. Nesta hora buscar ajuda espiritual é quase unânime, mas para muitas religiões o suicídio é visto como uma agressão às leis naturais do universo e como tal esta sujeito às leis da causa e efeito, ele compromete a evolução de quem o pratica. O homem não tem o direito de dispor da própria vida, só Deus tem esse direito, sendo assim vão para o inferno ou para a infelicidade eterna, poucos sabem explicar o porquê de tal punição, embora temam com veemência seu decreto.

É inegável que o suicídio é uma tragédia. Uma resposta a uma ação, expressa algo, na maioria das vezes está atrelado à dor, para sanar a dor, o que poucos pensam, aliás, eles não pensam quando fazem isso, é que ao cometer este ato estão sendo egoístas, vão causar muito mais dor do que a que estão sentindo. Às vezes, quando nos agitamos sonhando sobre duros travesseiros não podemos nos soltar de nossas algemas e nos perdermos vagando pelo espaço, nos buracos negros existentes em nossas mentes. Temos que ser fortes e resistir, por mais difícil que possa parecer; no fim, tudo valerá a pena.

Nenhum comentário: