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quarta-feira, 4 de julho de 2012

O Andarilho

Um menino. Vestido aos trapos com roupas mais velhas que Noé; perdido, ele caminhava sem destino, seus pés estavam pretos com verrugas e rachaduras características de andarilhos. Olhando ao redor fiquei em alerta! Sua espontaneidade e simpatia conquistavam a todos, ele batia de carro em carro pedindo uma moeda, visivelmente estava com fome, com sede. Precisava de alguém, mas quem o ajudaria? Quem seria capaz de -se quer- o enxergar? Como muitos, eu segui em frente, ele veio em minha direção, como já o esperava abri o vidro do carro e olhei em seus olhos, lhe ofertei uma nota de cem reais. Seus olhos se esbugalharam em expressão de surpresa, como se tivesse salvo o mundo eu arranquei com o carro, sem que ele agradecesse, sem que eu passasse por tamanha vergonha. Meu coração ainda pesa, olho para seus semelhantes e me pego a indagar: “Por quê?”.

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