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domingo, 26 de agosto de 2012

Depressão Pós-parto

No meio da noite, um bebê chora. Ignoro, viro de um lado para o outro. Cubro a cabeça em uma tentativa desesperada de sanar o barulho ensurdecedor, mas ele não para. Lembranças me cortavam a alma: Seu pai, morto em um acidente de moto... Seu corpo, velado em um caixão lacrado. 

Ele não podia... não devia... não fazia parte do plano. Como pôde me deixar!
O bebê continua a chorar. Enxugo as lágrimas, vou até seu quartinho decorado com o tema do Bob Esponja, seu pai ajudara a escolher. Olhando do alto para o berço via seu rostinho assustado. Seu desespero me atormentara. Abraço um travesseiro, as lágrimas respingam no bebê, a boca salivava na ânsia por socorro... O choro me subia à cabeça. Desço o travesseiro lentamente até sua face, ainda em prantos. O som é abafado e por instantes eu me lembrei de como era bom sem ele, apenas seu pai e eu. O silêncio é absoluto, e aquele choro eu nunca mais ouviria.

Um comentário:

Keli Araújo disse...

Que leitura forte. Parabéns.