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domingo, 23 de setembro de 2012

Natalício

“Eu sempre sonho que uma coisa gera,

nunca está morto.

O que não parece vivo, aduba.

O que parece estático, espera.” [1].

O que seria o aniversário se não a confirmação de que o tempo não para, seja como for, quem for ou onde estiver o tempo te alcança, porque na verdade ele nunca se distância. Mas o tempo nos traz muito mais que simples perspectivas sensoriais e só o percebemos quando por alguma razão sentimos a necessidade de modificá-lo.

Nostalgia, voltar nunca será possível e a ínfima ilusão de uma possível regressão já nos basta. A cada ciclo de tempo nós mudamos, as espinhas se afloram e desaparecem, amadurecemos. E não poderia ser de outra forma.

Dormindo sobre pensamento que nos elevam e nos transportam para além do imaginável, sonhamos com as possibilidades não vividas, oportunidades perdidas e amores não sentidos. Como velhos a beira da morte… Estamos introspectivos.

Regredir ao passado não é possível sem viver o presente; imaginar o futuro não é possível sem que haja um pingo de esperança. A morte seria o fim de tudo, o que nem sabemos ao certo, essa metamorfose nos enlouquece e nos transforma. Diante de tantas possibilidades sempre ficamos tendenciados a não fazer escolha alguma e nos deixar levar pelas arestas que se formam aos nossos pés. Doentes, nos sentimos. Como de cãs, nos imaginamos. Refletimos sobre tudo aquilo que esperávamos, mas que apenas esperávamos.

Nesse processo -árduo- há muitas dúvidas e uma única certeza: Seja como for, o tempo vai passar.


"O presente é a sombra que se move separando o ontem do amanhã. Nela repousa a esperança."
 Frank Lloyd Wright 


Obs. Este texto foi feito para o segundo aniversário do blog "O que me vem à cabeça" da minha amiga Andréia Fernandes. Que este não seja apenas o fim de um ciclo, mas o começo de outro mais longínquo.


[1] PRADO, Adélia: Bagagem. 27ed. Rio de Janeiro. Record. 2008
Poema “Leitura”. Pag. 17

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