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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Privacidade Aquém da Diversidade Digital


Certamente quando a internet foi pensada, em março de 1989 por Sir Timothy John Berners-Lee (criador do WWW) ele se quer imaginou no quão potente e resistente ela poderia se tornar. Mais que um HD infinito ou um lugar para se compartilhar idiossincrasias a internet -confundida com a rede- é atualmente um perigo para a sociedade. Ao mesmo tempo em que a própria sociedade é quem criou este perigo, talvez por uma má utilização de um recurso quase infinito em possibilidades.

É na internet que vemos as verdadeiras faces de pessoas que se tornam irreconhecíveis diante de tamanhas verdades reveladas em alguns caracteres. Cada vez mais compacta e objetiva esse conglomerado de computadores conectados e voltados para um único lugar trazem da forma mais clara e objetiva a dura realidade que nos cerca, somos hipócritas e cada vez mais influenciados por qualquer um que faça bom uso do vernáculo. Isso se torna notório com tantas “correntes” que se formam nessas -várias- redes sociais que existem. Compartilhar imbecilidades se torna cada vez mais banal.


O Facebook tem mais de 01 Bilhão de usuários em seus servidores de banco de dados, e cada usuário tem milhares de informações e conteúdo sendo compartilhado e armazenado a cada segundo. Logicamente, quando excluímos algum conteúdo de nossas páginas “virtuais” acreditamos que elas realmente foram excluídas e que não há possibilidade de serem resgatadas, mas um caso recente prova o contrário. Essas informações nunca são excluídas, confira o vídeo:


E não é só isso, o Facebook nos rastreia para nos mandar propaganda direcionada, confira nesta imagem como este rastreamento é feito:


Isso nos mostra que estamos sendo perfilados. A Google, uma das empresas mais valiosas do mundo, recentemente completou 14 anos, um adolescente espinhoso, mas que não tem nada de imaturo. Ela é a pioneira no que se trata de propaganda direcionada.

Todo mês o Google junta bilhões de termos de busca que usa para aperfeiçoar seu sistema de busca gerando, cada vez mais, propaganda direcionada. Isso quer dizer que tudo que você digita em qualquer serviço que o Google ofereça, é rastreado e lido por programas específicos que usam isso para te encaminhar propaganda com base nas palavras que você digita. Se você mandar um e-mail falando sobre cachorros você vai receber propaganda de Pet Shop, se você busca por carros, você passara a receber propaganda sobre carros.

E se você acha que as empresas é que são as verdadeiras culpadas por esse genocídio da privacidade, você está completamente equivocado. Um estudo mostra que as pessoas revelam informações cruciais no Facebook, o estudo conduzido pela pesquisadora romena Sabina Datcu mostrou que pessoas tendem a revelar informações absolutamente sigilosas, como endereços e senhas, a desconhecidos no Facebook, desde que acreditem que tenham algo em comum com eles. Ela realizou a pesquisa com profissionais de TI e hackers. No estudo, 81% das pessoas revelam o nome de suas mães, 78% dos hackers também o fizeram. E 7% dos hackers deram suas senhas para a pesquisadora. Mais detalhes.

E não para por ai, o nível de compartilhamento de informações é assustador: Todos os dias o Flickr recebe mais de 03 milhões de fotos ou vídeos junto aos quais ele coloca anúncios. Mais de 01 bilhão de coisas são compartilhadas pelo Open Graph do Facebook. O You Tube recebe mais de 24 horas de vídeos por minuto, além de receber mais de 01 Bilhão de visitas em seu home page por dia. 25% da população Mundial tem acesso à internet, o que significa que é só o começo.

Sobre a propaganda direcionada, já há um projeto de lei que visa tornar as propagandas indesejadas que se baseiam em dados pessoais um crime: Projeto de Lei 2.126/2011, mais conhecido como o Marco Civil da internet.

Quanto você cobraria para que alguém lesse o seu diário?

Será que estamos sendo ingênuos sobre o que compartilhamos? Não há gratuidade na internet, pagamos e pagamos muito caro para a utilizarmos. Uma vez que a informação é divulgada ela ganha movimento. Esses “robôs” programados para compartilhar o que todos estão compartilhando, de uma forma viral e cíclica, mal percebem o ambiente ao seu redor. O ninho programado para lhes tirar, o que para muitos não tem valor, a privacidade. Se estivermos doentes, se compramos alguma coisa, nossas opiniões, posições políticas, religiosas, condição sexual, gostos... Tudo isso forma um enorme dossiê sobre nossas vidas.

Mais o compartilhamento vai além da quebra da privacidade, na medida em que as pessoas começam a diminuir o crivo sobre o que avaliam elas desfiguram nossa cultura trazendo inversões de valores e reinventando dogmas já estabelecidos por anos. Onde está a ética quando você assiste a um filme sem pagar, onde está a moral quando você distribui impropérios em redes sociais sobre pessoas que você nem conhece e por fim, onde está o respeito quando você passa por cima de todos esses valores completamente blasé aos sentimentos alheios? Parece que quanto mais “evoluímos” com a civilização, menos humanos nos tornamos.

Somos permissivos a tudo isso, verdadeiros cúmplices. Nos tornamos um produto da internet, e aceitamos os termos de uso sem ao menos lê-lo. Somos tão ruins ou piores que o sistema capitalista que nos usa, nos tornando ratos de laboratório para seus experimentos e acima de tudo, máquinas de fazer dinheiro. A cada clique a cada página visitada.



Mas qual é a verdadeira intensão, o que está por trás dessas ações. Me parece obvio: 
CONTROLE.

Obs. Esta é a primeira parte deste texto, no próximo falarei sobre a correria que já acontece nas maiores empresas de tecnologia em estabelecer o controle da informação mundial. Já é uma tendência e todos aprovam a computação em nuvem, centralizar todas as informações em um único lugar, mas é seguro? Quem vai ter a chave que abre essas portas?

Segunda Parte deste texto: Informação é Poder?

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