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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Informação é Poder?

“Você não precisa controlar muitas pessoas, você pode controlar o que elas acreditam e você pode controlar as coisas das quais elas têm acesso. Se você pode controlar o que elas sabem o resto é muito fácil”. John Perry Barlow, cofundador da Electronic Frontier Foundation.

A internet tem o poder de promover revoluções, desmistificar fantasmas do passado e acender as chamas para o novo. Na era da informação a palavra chave é CONTROLE, nunca antes se viu tamanha atenção sobre as informações que circulam pela rede diariamente. Controlar essas informações e retê-las significa deter o conhecimento. Mas estamos falando de internet e neste mundo virtual a palavra controle praticamente não existe.

Um bom exemplo disso é o WikiLeaks, uma organização transnacional, sem fins lucrativos, sediada na Suécia; que publica, em sua página, postagens de fontes anônimas, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis. Há um empenho enorme pelo governo em fechar o WikiLeaks, porém ele usa criptografia militar e seus arquivos e servidores são quase invioláveis. Então, controlar a informação parece não ser tão fácil assim, mas existe um lugar onde isso -ainda- é feito com êxito. Qual?

A China, o país tem mais de meio bilhão de usuários de internet o que o torna o país mais conectado do mundo, porém esse número representa apenas 34.30% da população. Refém do partido comunista há mais de 60 anos a China tem sérios problemas no que diz respeito à liberdade, pois o governo da China tem sido descrito como autoritário, comunista e socialista, com restrições em diversas áreas, em especial no que se refere às liberdades de imprensa, de reunião, de movimento, de direitos reprodutivos e de religião, além de alguns obstáculos ao livre uso da internet.

Para você ter uma ideia, além da China restringir pesquisas no buscador Google, dificultar totalmente a penetração de empresas de tecnologia no país -como a Apple- ela ainda mantém mais de 300 mil centros de operações onde “Analistas da Internet” disseminam comentários em apologia ao governo e suas políticas. Eles seguem duas bases da censura, bloquear e reorientar. São chamados de “O exercito do 50 centavos” em função da forma como são pagos.
“As pessoas deveriam pensar com mais cuidado sobre que tipo de informações querem divulgar e como ela será usada”. Bill Gates, fundador da Microsoft.

E isso tudo nos dá uma prévia do quão importante é a informação, alguns tentam controlá-la, outros manipulá-la, mas todos a querem.

Cada vez mais se fala em computação em nuvem não só pela sua capacidade de organização, mas acima de tudo pela economia, especialistas dizem que a computação em nuvem reduz em até 98% os custos da empresa. Ela é a mais clara evidencia da nova tendência mundial, tudo em um único lugar. A principal questão que se faz presente diante de tamanha centralização da informação é: Quem vai controlá-la?

A Google foi uma das primeiras empresas a criarem o que chamam de “Centros de Dados”, nunca revelou ao certo a quantidade, mas estima-se que existam cerca de 03 dúzias espalhados pelo mundo. Esses centros de dados são nada mais que enormes estruturas construídas em áreas de pouco interesse pela maioria das pessoas, servem de HDs –enormes HDs- onde armazenam todas as informações dos mais de 50 serviços que a Google oferece.

E ainda podemos ir mais longe, a missão da empresa Google, segundo consta em seu próprio site é: “Organizar as informações do mundo e torná-las mundialmente acessíveis e úteis”. O que dizer de serviços do Google como o “Google Street View”, “You Tube”, “Google Books”, “Google News”, “Blogger”, “Gmail”, “Google+”, “Orkut”, “Google Chrome”, e tantos outros. Verdadeiras fábricas de informações que tendem a ficar na linha tênue entre o público e o privado, o ético e o antiético, o correto e o incorreto.

“...no passado os modelos tradicionais viviam da escassez, o que eu não acho que seja saudável para a sociedade. Poucas pessoas tendo o controle da criação de todo o conteúdo no mundo e também o controle de toda a distribuição”. Chad Hurley, CEO do You Tube.

Não está em discussão a ética das empresas quanto a utilização ou má utilização dessas informações, o que é discutível é o alto risco que se corre ao centralizar todas as informações do mundo. É como pedir para que todos os crackers do mundo se voltem para você. Se torna quase um chamariz de crackers.

Como já acontece. Possivelmente crackers chineses tentaram invadir servidores da casa branca com a intensão de roubar informações sobre os mecanismos de controle de bombas nucleares, a Casa Branca confirmou o ataque, mas nega o roubo de informações. Esses mesmos crackers invadiram a Google, desta vez com êxito e roubaram informações de contas de e-mails, tempos atrás.

Como centralizar as informações do mundo se você mal protege as que já têm?

Obs.: Primeira Parte deste texto: Privacidade Aquém da Diversidade Digital

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