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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Primavera

Que se desfaçam as alíneas.
Que se desfaça a conduta.
Que se desfaça a percepção:
De amor.
De nada.
Que se faça muito além.
Que se olhe fundo nos olhos.
Que se sinta... tudo, nada.
Mas o que se espera diante de mim.
Olhos, boca, mente, corpo, alma,
sangue, sopro, voz, calor.
Senti-me em ti.
Calar-me-ei, agora.
De nada vale o amor se não tem sexo.
Sem sexo não há amor
e sem amor felicidade.
Se aqui estou, diante de ti, o que ei de esperar.
O que há de se esperar em mim, reciprocidade,
carícia.
Ouvidos a sua espera, não.
Como explicar essa sedução às avessas,
essa ilusão incandescente,
essa quase luz no fim do túnel,
como dizer a elas que o amor não existe.

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