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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Natureza Desigual

Somos vampiros e sugamos do planeta o seu sangue negro. Bebemos até a última gota e não nos importamos com os impactos de nossas ações. Vítimas do nosso próprio crime. Um suicídio às avessas. Talvez sejamos apenas uma bactéria que se instala em seu hospedeiro; não se sabe bem de onde vem, mas aos poucos vamos consumindo tudo até não sobrar nada. Somos autodestrutivos. O que é ilógico, uma vez que somos os animais racionais. Os únicos capazes de pensar, desenvolver um raciocínio e os únicos que têm uma extraordinária capacidade de aprender. Mas pensamos ser superiores; superior a quê? Isso por si só já nos mostra que não o somos, que de inteligencia temos apenas a capacidade. Como se não usássemos o cérebro.

Ao mesmo tempo, há os que sentem-se culpados. Não comem carne, não se vestem com animais e preocupam-se com os cães. Seriam eles hipócritas. Qual a importância dos cães e gatos para todo o nosso ecossistema e cadeia alimentar? Nenhuma. Se todos fossem extintos nada mudaria; porque são irrelevantes para a sobrevivência da humanidade. Por que esses grupos, que se dizem preocupados com o que fazemos com os animais, não preocupam-se com as abelhas, que têm função primordial para nossa sobrevivência, polemizando e distribuindo vida. Por que não preservar as algas que fornecem mais de 50% do nosso oxigênio. Parece mais fácil preocupar-se com os fofinhos, afinal um panda é de extrema importância para a nossa sobrevivência.

Se de um lado há os que preocupam-se com bobagens e nos fazem perder tempo; do outro temos os que não se preocupam com nada. Precisamos encontrar um meio termo. Quanto tempo levará para percebemos o que está diante dos nossos olhos; o planeta está com os dias contados. Ou encontramos outro ou é fim de jogo. E ainda que encontremos outro planeta habitável e repovoemos o lugar, naturalmente morremos. Então, por que preocupar-se com a sobrevivência da espécie.

No fundo, temos a esperança de que se encontre o elixir da vida e o nosso extinto fala mais alto. Ansiamos sempre pela vida e queremos mais que viver, queremos viver com qualidade. Muitas vezes somos egoístas, mas podemos nos preocupar. Preocupar- nos com os nigerianos, com os Sul-Africanos; quem sabe não adotemos uma criança. Podemos alimentar os pobres numa calçada, como pombos, em uma tarde com o sol se pondo.

Talvez se fechássemos a torneira ao escovar os dentes ou ao lavar a louça sobraria mais água para eles; talvez se não jogássemos comida no lixo sobraria mais para eles. Mas é mais fácil desperdiçar de um lado e do outro lado compensar com caridade, afinal eles já se acostumaram a viver na miséria. Para uns sobra e para outros falta. A maior parte do dinheiro mundial pertence a poucos e esses poucos ditam como mais de 07 bilhões de pessoas deve viver. O que isso nos diz? Que o mundo é desigual, mas é a nossa natureza, é como os humanos interagem entre si. Negar nossa natureza é negar quem somos.

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